Ventor 29.07.05
Todos sabemos, em traços gerais, o que reza o
protocolo de Quioto e creio também que todos sabemos que ninguém irá cumprir
assim-assim e muito menos, rigorosamente, o dito protocolo. Por muito que se
tente, todos os países que acorreram a colocar o seu sinete no protocolo de
Quioto, têm grandes problemas para poderem cumprir o estabelecido. A nossa
civilização está tão desconchavada relativamente a estes assuntos tão graves
que os políticos arranjaram maneira de caminhar nos pressupostos científicos de
que tudo tem de mudar, e todos sabemos que vamos ter de mudar, mas como?
As palavras bonitas, as linhas bem escritas, não
resolvem nada! Os políticos tentam passar sobre as linhas finas traçadas por
cientistas politizados e políticos com vontade de se colarem aos sabedores dos
sistemas da ciência. Criaram assim uma hidra de sete cabeças, pronta a
vasculhar no vácuo já que nenhum ser vivo se quer aproximar dela.
As sociedades ocidentais, as mais avançadas
cientificamente e mais poluidoras, acompanhadas aqui e ali por nichos sociais,
em vias de desenvolvimento nos moldes das mesmas, estão em decadência, mas
novos gigantes se preparam para consumir tantas energias poluidoras como elas
já consomem. Vem aí a China e a Índia (e não só), para fazer, em termos
globais, maior carrego sobre o que se pretende com o protocolo de Quioto.
Estas flores são chicórias
As primeiras, começam a bater-lhes à porta, milhões de
pessoas com cara de fome, devido ao desemprego e continua a ser necessário
dar-lhe de comer e, para isso, vai ser necessário consumir mais energia,
relançando novos objectivos pouco consentâneos com o Protocolo do nosso
descontentamento. As segundas, com fome ou sem ela, mas fundamentalmente com
muitos milhões que se acham no pleno direito de adquirir as mordomias
ocidentais, embora o protocolo de Quioto seja mais brando com elas, vão ser a
estucada final neste Planeta cheio de Arrelias.
Portugal, se bem me recordo, está autorizado a
aumentar 27% a emissão de gases com efeito de estufa, relativamente a 1990.
Mas, segundo conhecedores da nossa praça já vai com 14% acima dos objectivos
autorizados. Um bom começo para um sinete, colocado em Fevereiro, no dito
protocolo. As energias renováveis? Bem que, á primeira vista, serão uma das
melhores hipótese para renovar também um jovem progresso, que permita à
humanidade prosseguir em caminhos mais limpos e sem que lhes faltem as
mordomias essenciais indispensáveis.
Quanto a mim, acredito plenamente que a grandiosidade
deste mundo está no términos. Assim, sonhando, eu continuo a ver a falta de
água prolongar-se no tempo, os calores insuportáveis a ajudar aos incêndios por
esse mundo fora, cá dentro e lá fora, que alguns facínoras teimam em achar
piada. Cada vez que rodo na estrada, rodam à minha frente atrasados mentais,
alguns em grandes bombas que atiram as beatas pela janela, garrafas de plástico
vazias sem água, guardanapos, copinhos de iogurtes, pacotes de cigarros vazios
e sei lá que mais.
Uma vergonha o que se vê nas estradas das nossas
terras e mais ainda por gente que, pelo menos, aparentemente, deveriam ter
outras maneiras de viver e conviver em sociedade mas, infelizmente, é esta a
sociedade em que nos inserimos. Qualquer recanto serve de caixote de lixo de
pessoas sem escrúpulos.

As aves ainda bailam para nos animar e se
animarem
Será que o céu continuará azul? E vamos continuar
assim! Se tiverem um pouco de atenção verificarão que os labregos estão em
franco progresso. Há papás que gostam de ver os filhos inocentes a pontapear
animais que estão habituados a conviver com crianças e, por isso, fáceis de
apanhar. Gostam de os ver fazer asneiras de todo o tipo como deitar os lixos
para o chão, estragar pequenas árvores plantadas, destruir flores e canteiros.
É nestas pequenas coisas que deve começar a luta por
um melhor ambiente e essa só pode ser levada a cabo por todos os cidadãos, mas
pelo que vejo hoje, nas escolas, grande número dos futuros homens e mulheres de
amanhã só aprendem a via mais fácil para viver atropelando os outros. Eu vejo
isso nas minhas caminhadas e nas minhas tentativas de encontrar ervas verdes
para o meu Quico. À falta delas, semeei-lhe uma hortinha cá em casa, mas se
falta a água para a rega? Se já não há água para regar o cebolo em pequenas
hortas, imaginem como será quando não houver água para regar a minúscula horta
do meu Quico!
Água fonte de vida