Ventor
Hoje, ainda digo qualquer coisa, aqui, sobre o dia de
ontem, na mimha caminhada por Mafra e pelo rio Lizandro.
Para caminhar juntamente com as fotos, no rio Lizandro, click na foto em baixo e pode activar o slideshow no Flicker.
Click nesta foto do Flicker e depois na setinha
do slideshow
Após o almoço, uma bela feijoada feita pelo nosso
amigo Checa, abandonei a malta pois eles têm sempre muito para conversar e eu,
como não posso fazer ou refazer as velhas caminhadas pelas lânguas de Marrupa,
desafiei a bela "lângua" do rio Lizandro, como
em Maio de 2010.
Campo fértil de alfaces e quase tudo que lá
semeiem
Atravessei Montesouro, até ao topo e, o local
pôs-me a questão: "em frente não podes. Ou viras à esquerda ou viras à
direita". Foi esta a linguagem utilizada pelas duas setas que me lançaram
o desafio. Eu como falo com tudo, até com setas, disse-lhes: "vão se lixar,
vou para a direita".
Assim, alarguei a estucada, com a máquina numa
mão e um stick na outra. Apareceu-me um outro caminho para a esquerda mas achei
que ficaria por ali junto das últimas casas. Bati estrada mais um bocadito e
veio o desafio! Uma placa de pedra, junto ao alcatrão, dizia: "caminho da
ribeira". Pensei logo que era aquilo mesmo. Caminho da ribeira é comigo.
Tenho de ir lá baixo. E fui!
Por entre pinheiros espreito o rio Lizandro
Iniciei a descida mas sempre a olhar para trás
para não me esquecer que teria de voltar e seria sempre a subir. Com a barriga
cheia de feijões, carne de porco e chouriços, só podia acontecer uma de duas
coisas. Ou me dava a moleza como ao alentejano, ou teria energia suficiente
para desfazer na descida e na subida. Quando comecei a ver o Lizandro, cheguei
à conclusão que, afinal, não era tão longe como isso, além disso o caminho de
tractor não era mau. Só os medronheiros me fizeram parar e logo na primeira paragem,
uma perdiz saiu arvorada rumo ao rio gritando: "raios Ventor, que me
pregaste um susto. Estava quase a dormir"!
É bela a veiga do rio Lizandro
Voltei a parar para deixar que os meus olhos se
espraiam-se sobre aquela bela veiga do rio Lizandro e pôr a minha máquina a
trabalhar. "buscam e tragam porque os dias já são mais curtos e eu não
posso ir embora sem levar muitas alfaces comigo e o rio Lizandro. Atravessei um
pontão só para dizer a mim mesmo que estive do lado de lá. Fotografei também
aquelas belas árvores amarelas que parecem cheias de trícia e um pouco
sacudidas com o vento, uma aragem forte e fria, me acenavam como podiam.
É uma maravilha o Outono no Lizandro mas a minha amiga
Primavera solta comigo por ali, ai,ai
E chegou a parte pior. Iria dar início à subida.
Ainda pensei dirigir-me na direcção do rio, rumo a oeste, e subir mais lá em
baixo, como tinha feito em Maio de 2010 e tentar observar se a pia do
fontanário ainda teria por lá o tritão. Só que dessa vez a subida foi às custas
do tractor. Seria mais ou menos a mesma coisa mas, e eu encontrava o caminho
desejado? Na Pedrada não me perco mesmo com nevoeiro mas no Lizandro mesmo num
dia bonito, cheio de sol, pode ser diferente. Por isso subi pelo mesmo sítio
por onde tinha descido.
Rio Lizandro e a sua veiga
Voltei a atravessar Montessouro, ao contrário, e lá cheguei junto da malta onde fui bem recebido pelos lindos gatos do meu amigo Joaquim que amavelmente me informaram que me ficaram a ganhar encostadinhos ao carro, a receber aquele belo solinho de outono. Lá pela primavera, poderá haver mais Lizandro por outra descida, com caminhada à esquerda e pela subida de ontem. Ontem fiz a caminhada e hoje ainda gosto mais pois continuo a dar, mentalmente, as mesmas passadas.





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