Ventor 23.07.11
Como digo por aí algures, estamos
no mês de S. Bento - o mês de
Julho!
Os meses de Julho, são,
também, ou têm sido, meses das minhas mais belas caminhadas. Caminho por
florestas e bosques, por espaços abertos e, sempre vou encontrando muitos dos
meus amigos. Este mês de Julho não tem sido assim mas, nem por isso deixa de
ser bom.
Hoje, acordei e, como não vou ter
com os meus amigos, vêm eles ter comigo. Saí, dirigi-me ao Miradouro do Quico,
para dizer ao meu amigo Gil que veio passar férias comigo que, dali, pode ir
observando tudo o que se passa, como o Quico fazia e ele já fez também.
Pelo canto do olho, apercebi-me que
uma ave voou da relva para o choupo do meio mas, nem consegui ver o colorido,
na sombra da manhã e julguei ser o meu amigo Tobias como faz muitas vezes. Nos
ramos dos frondosos choupos, saltitavam duas aves e continuei a pensar ser o
Tobias. Chamei o Tobias e, ele, julgava eu, observava-me pelo meio das
folhas. Mas não, lá consegui ver que não eram pretos como os Tobias e, de
repente, o azul das asas, chamou-me a atenção.
Um dos três filhotes que os meus amigos trouxeram
para me mostrar
"Olá amigos, andam por aqui
nestas frondosas árvores que vos escondem tão bem"? - perguntei eu aos
gaios!
«Olá, Ventor! Ficaste embaralhando!
Viemos cá mostrar-te os nossos filhotes, mas passou aquele gajo e eles fugiram
até ao rio»! Fui buscar a máquina e, ao chegar, ainda fui apontando a máquina
mas era impossível apanhá-los no meio daquela ramalhada escurecida do lado de
cá e, do lado de lá, a luz brilhante do meu amigo Apolo. Tenta daqui, tenta
dali, passa mais um gajo e lá se foram eles em direcção do rio.
Apareceu, de facto, o meu amigo
Tobias, o melro, que ficou admirado por eles se terem ido embora tão
rápido e disse-me que ia ter com eles ao rio.
De repente, com o jardim sem gajos,
nem gajas, voltam os gaios aos choupos!
«Ventor, trouxe os meus filhotes, para tu conheceres, agora que não há ninguém»! E, de facto, havia grande rodopio sobre os choupos. Eu apontava a máquina mas, nada! Os choupos não davam espaços para treinos de fotogenia. Por entre as folhas, lá ia vendo um rabo, um olho a espreitar-me, uma nuca de gaio e eu, enviava a minha máquina à procura, mas nada. Era sombra e contraluz e a máquina apanhava-me toutiços escuros. Por fim lá tiveram de partir, acossados por gente que passava e, do meio dos choupos veio o que eu temia o «adeus Ventor»!
O meu amigo de Lamas de Mouro
Os gaios são umas belezas, pelo
menos para o Ventor e são úteis para a humanidade.
Eles plantam grandes espaços das
nossas florestas e dos nossos bosques. Pelo menos, de árvores que dão os frutos
que eles gostam. Sobreiros, carvalhos e outros. Estimam os especialistas que
cada gaio dispersará cerca de 1.000 bolotas, em média, por ano.
Eles escolhem sempre as melhores
bolotas para comer e para enterrar no chão com o bico, tapando-as com a terra
do buraco para comerem no inverno e, muitas vezes, não dão com elas ou
desapareceram caçados pelas aves de rapina ou se foram de morte natural e elas
lá ficaram para rebentarem e darem outras árvores.
Mas eles também as enterram em
fendas de rochas onde possam chegar e em buracos de árvores, tendo sempre uma
dispensa apetrechada nos seus locais de residência que podem conter quilos de
bolotas. Como todos os corvídeos, trata-se de uma ave inteligente.
O meu amigo de Lamas de Mouro está a observar o
que o Ventor faz com aquela coisa preta nas mãos
O gaio é uma ave de médio porte,
com um cumprimento de cerca de 35 cm e com pesos de 140 a 190 gramas
e uma longevidade de cerca de 18 anos. Na Primavera, os gaios chegam aos países
frios do Norte da Europa, como a Noruega mas, no Outono eles regressam aos
países mais temperados do sul. A sua zona de residência vai da Europa Ocidental
por todo o Continente asiático e também pelo Noroeste africano.
Dizem também os especialistas que
os gaios utilizam vários sons, especialmente quando são atacados por aves
de rapina e esses sons, são utilizados conforme as mensagens que pretendem
enviar aos seus companheiros que, captando o som, ficam logo avisados do
inimigo que vão encontrar pela frente, porque eles vão à luta em grupo. Formam
um grupo de defesa e contra-atacam esse inimigo que, várias vezes, tem de
fugir. Eu já assisti a lutas deste género, no Parque Florestal de Monsanto e na
Matinha de Queluz. Em Monsanto fui eu que vali ao gaio! Quando os outros
chegaram, já seria tarde. É por isso que eu acredito, porque os vi chegar.



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