Ventor 14.07.10
Os rabirruivos, são belos passarinhos que habitam em muitas zonas do nosso país e que, com a chegada dos seus primos que do norte da Europa fogem das zonas geladas, passam a ocupar, desde o Outono, todas as zonas de Portugal, algumas áreas de Espanha e vão prolongando a sua caminhada até ao Norte de África.
Veja aqui os Os Rabirruivos
Tenho fotografado os rabirruivos por vários sítios e nunca ficam como eu gostaria, por serem pretos e porque, no momento de disparar os malandros fogem-me. Mais uns que não querem nada com os paparazzis. Mas são muito lindos. Estes que coloco aqui, caminhavam e tentavam sobreviver num jardim de Alfragide e comecei por ver um dos pequeninos. Comecei a tentar aproximar-me e ele olhava-me e não fugia. Inocência da juventude!
Um rabirruivo novinho que caminha sob a luz de Apolo, por Alfragide
Continuei a aproximar-me dele e, de repente, o papá, babado, colocou-se a seu lado como que a desafiar-me para ir atrás dele. Ele bem me provocou mas eu não dava resposta, até que, por fim, fiquei, praticamente, entre os dois. Notei a aflição do progenitor e como insistia na tentativa de me estragar os neurónios para ir atrás dele. Por fim, fotografava para a esquerda e fotografava para a direita. Eu acho este pássaro, pelo menos, na aparência, muito nervoso. Ele tentou enrolar-me várias vezes e eu comecei a falar com ele até que, por fim, acho que o convenci que não faria mal ao seu primeiro filhote
Papá rabirruivo que desafia o Ventor para uma perseguição, mas o Ventor não cai na esparrela
Quando era miúdo e procurava os ninhos das rolas para observa-las, caminhava nas bouças de Adrão e, quando topava alguma rola brava (não haviam lá rolas Turcas, estas só chegavam até aos Arcos), se ela era novinha, um dos seus progenitores, não sei se o pai, se a mãe se os dois, faziam-se coxos, ou faziam que tinham uma asa partida, caminhando, exactamente, como se assim fosse. Os meus velhadas de Adrão, companheiros dessas velhas caminhadas, diziam-me que elas estavam a fazer isso para protegerem os filhos. Elas são capazes de caminhar por um espaço alargado, com uma asa caída como se estivesse partida, até colocarem os filhotes em segurança. Depois fogem!
Papa rabirruivo, vê o Ventor aproximar-se de outro filhote e volta à carga. Esvoaça para uma árvore e tenta desestabilizar o Ventor, mas não dá!
No domingo passado, em Belém, 11 de Julho de 2010, durante a minha caminhada com os corvos, um dos progenitores fez-se coxo! Caminhou à minha frente por um grande espaço, a coxear, e eu fiquei preocupado por ver o bicho naquele estado, porque julguei, logo, tratar-se de um ferimento real. Mas comecei a falar com o corvo e fui tirando fotos, até ele acabar por me mostrar que não tinha nada, depois de se aperceber que eu não faria mal aos seus filhotes. Foi uma hora que me mostrou que nem só as rolas defendiam os filhotes mostrando-se alcançáveis pelos hipotéticos perseguidores dos seus filhotes. Quando esse corvo, mãe ou pai, se apercebeu que eu não era perigoso, tudo voltou ao seu natural.
O segundo filhote, por inocência ou por convicção, acha que o Ventor é um amigo e não arreda. Claro que ele acertou mas para seu pai foi uma grande trapalhada!




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