terça-feira, 20 de março de 2018

Primavera de 2018

 Ventor 20.03.18

Foi hoje ....

Foi hoje, às 16:15, que nasceu a Primavera de 2018. O meu amigo Apolo, ultrapassa o equador celeste e inicia o seu encosto mais a Norte, aproximando-se um pouco mais do Ventor.

Duas horas e pouco, antes, rodava eu no IC19, olhava sobre a copa das árvores e já a Primavera me acenava de entre os botões das novas folhas e me piscava o olho dizendo: "já estavas com saudades, Ventor"?

Claro que estava! Quem não tem saudades da minha amiga Cloris grega ou da minha outra amiga a Flora Romana? Elas são uma e a mesma coisa. E eu sou o mesmo que marcou encontro por 72 vezes seguidas. E, desta vez, mais uma vez, com a presença do meu amigo Apolo.

 

A Primavera de Botticelli

Ela sempre linda como Sandro Botticelli a pintou, destaca-se do quadro e caminha para o Ventor.

Flora, Vénus e companhias, caminham descalços no pomar

Ela aí está, no seu harmonioso pomar, em festa, junto de Vénus e demais rapaziada, usufruindo da beleza das flores. Só Botticelli a podia ver assim com tanta beleza. Mas Flora já me disse que, devido aos incêndios de 2017, iria fazer tudo para recuperar as urzes que cobriam as montanhas de flores roxas e brancas para enfeitar as caminhadas do Ventor.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Caminhar nas veigas do rio Lizandro

 Ventor 30.11.17

Hoje, ainda digo qualquer coisa, aqui, sobre o dia de ontem, na mimha caminhada por Mafra e pelo rio Lizandro.

Para caminhar juntamente com as fotos, no rio Lizandro, click na foto em baixo e pode activar o slideshow no Flicker.

Click nesta foto do Flicker e depois na setinha do slideshow

Após o almoço, uma bela feijoada feita pelo nosso amigo Checa, abandonei a malta pois eles têm sempre muito para conversar e eu, como não posso fazer ou refazer as velhas caminhadas pelas lânguas de Marrupa, desafiei a bela "lângua" do rio Lizandro, como em Maio de 2010.


Campo fértil de alfaces e quase tudo que lá semeiem

Atravessei Montesouro, até ao topo e, o local pôs-me a questão: "em frente não podes. Ou viras à esquerda ou viras à direita". Foi esta a linguagem utilizada pelas duas setas que me lançaram o desafio. Eu como falo com tudo, até com setas, disse-lhes: "vão se lixar, vou para a direita".

Assim, alarguei a estucada, com a máquina numa mão e um stick na outra. Apareceu-me um outro caminho para a esquerda mas achei que ficaria por ali junto das últimas casas. Bati estrada mais um bocadito e veio o desafio! Uma placa de pedra, junto ao alcatrão, dizia: "caminho da ribeira". Pensei logo que era aquilo mesmo. Caminho da ribeira é comigo. Tenho de ir lá baixo. E fui!

Por entre pinheiros espreito o rio Lizandro

Iniciei a descida mas sempre a olhar para trás para não me esquecer que teria de voltar e seria sempre a subir. Com a barriga cheia de feijões, carne de porco e chouriços, só podia acontecer uma de duas coisas. Ou me dava a moleza como ao alentejano, ou teria energia suficiente para desfazer na descida e na subida. Quando comecei a ver o Lizandro, cheguei à conclusão que, afinal, não era tão longe como isso, além disso o caminho de tractor não era mau. Só os medronheiros me fizeram parar e logo na primeira paragem, uma perdiz saiu arvorada rumo ao rio gritando: "raios Ventor, que me pregaste um susto. Estava quase a dormir"!


É bela a veiga do rio Lizandro

Voltei a parar para deixar que os meus olhos se espraiam-se sobre aquela bela veiga do rio Lizandro e pôr a minha máquina a trabalhar. "buscam e tragam porque os dias já são mais curtos e eu não posso ir embora sem levar muitas alfaces comigo e o rio Lizandro. Atravessei um pontão só para dizer a mim mesmo que estive do lado de lá. Fotografei também aquelas belas árvores amarelas que parecem cheias de trícia e um pouco sacudidas com o vento, uma aragem forte e fria, me acenavam como podiam.


É uma maravilha o Outono no Lizandro mas a minha amiga Primavera solta comigo por ali, ai,ai

E chegou a parte pior. Iria dar início à subida. Ainda pensei dirigir-me na direcção do rio, rumo a oeste, e subir mais lá em baixo, como tinha feito em Maio de 2010 e tentar observar se a pia do fontanário ainda teria por lá o tritão. Só que dessa vez a subida foi às custas do tractor. Seria mais ou menos a mesma coisa mas, e eu encontrava o caminho desejado? Na Pedrada não me perco mesmo com nevoeiro mas no Lizandro mesmo num dia bonito, cheio de sol, pode ser diferente. Por isso subi pelo mesmo sítio por onde tinha descido.


Rio Lizandro e a sua veiga

Voltei a atravessar Montessouro, ao contrário, e lá cheguei junto da malta onde fui bem recebido pelos lindos gatos do meu amigo Joaquim que amavelmente me informaram que me ficaram a ganhar encostadinhos ao carro, a receber aquele belo solinho de outono. Lá pela primavera, poderá haver mais Lizandro por outra descida, com caminhada à esquerda e pela subida de ontem. Ontem fiz a caminhada e hoje ainda gosto mais pois continuo a dar, mentalmente, as mesmas passadas.

sábado, 28 de outubro de 2017

Aranhas e vespas

 Vento28.10.17

Hoje, sentado aqui, caminhando com Todos os Santos, recordo uma parte da tarde que vivi, em redor do Lugar do Sol, no domingo, 29.10.2017, no dia que o meu amigo Santiago fez anos. Como sempre, deixei-os a brincar, a conversar, a comer, a beber e, fui dar a minha caminhada do costume.

Caminhava quase sem companhia. Onde costumo caminhar entre flores lindas, coelhos, perdizes, mochos e muita passarada, caminhava com tudo seco por onde esvoaçavam alguns pássaros e lá por cima, bem alto, uma águia. Por fim, no meio daquela monotonia, onde só via secura, um grupo de pinheiros, uns carrascos com bolotas quase do tamanho deles, tudo cercado pelo horizonte com a serra de Sintra na sua linha, lá me apareceu a aranha de cruz para me animar.

A aranha de cruz 

Mas foi o diabo para a fotografar. Creio que ela construiu a sua teia com inteligência. Tinha algo na boca, uma peça da sua caçada na despensa e outro insecto preso, ainda vivo que, julgo, não correu para ele para o embrulhar, por minha causa. Mas ficou lá preso a tentar a liberdade.

Recordo-me que, quando era puto, na serra de Soajo, no monte chamado Gondomil, frente ao lugar de Adrão, foi onde vi as maiores aranhas de cruz até hoje. Faziam as teias de urze a urze e quando eu corria monte adiante, ou monte abaixo, às vezes até me sentia caçado naquelas teias gigantes. Só ficava descansado quando me apercebia que a aranha não estava na teia que me enrolava.

Continuei a minha caminhada por entre tojos e carrascos e fui dar com esta bicharoca, mais comprida e, também, tal como a aranha de cruz, é uma aranha de jardim. 

Uma aranha de jardim, Argiope trifasciata que aparece por todo o mundo

Esta também foi difícil de fotografar. Elas constroem as teias em locais quase inacessíveis para poderem estar à vontade e ninguém as perturbar. Cães, raposas e outra bicharada passam por baixo e deixam a teia intacta e os insectos são caçados com a mestria que conhecemos. As suas teias podem atingir um diâmetro de 60 cm e um comprimento de tela até 2 metros, conforme o tamanho da aranha.

Vespas 

Em tempos, no Borel, na Amadora, encontrei uma aldeia no solo e não sabia de que seria aquilo. Eram vários buracos no chão duro como esse. As vespas eram de outra espécie e, enquanto eu as observava, tal como se de uma colmeia se tratasse, entravam umas e saíam outras, buracos dentro, buracos fora.

Essa espécie, na foto em cima, nem sei porque não me picaram. Elas saíam em grupo e entravam em grupo nesse único buraco mas achei engraçado como elas têm um sistema de defesa. Eu aproximava-me e elas entravam todas no buraco, eu afastava-me e elas saíam em grupo do buraco. E fiz aquilo várias vezes para confirmar. Passos em direcção do buraco e elas buraco dentro, passos atrás e elas buraco fora. Por fim fui-me embora não fosse o diabo tece-las.

E, hoje, cá estou eu a viver momentos passados. A viver hoje, os momentos de um dia anterior com os nossos companheiros de caminhadas neste belo Planeta Azul.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Carapanhã

 Ventor10.05.16

Uma palavra que me matuta há cerca de 60 anos. Garantidamente há 59 anos.

Havia em Tibo, um homem que se chamava Ribeiro. Não me lembro de outro nome dele. Era um velhote (para mim, nesses tempos, velhote era tudo um pouco acima dos 30 anos) que tinha estado no Brasil. Como o Brasil não teria sido a terra dos seus sonhos, voltou para o seu berço, porque o lema seria o mesmo do outros, o tal. Aqui, alterado por mim: "não haverá Brasil nenhum, mais bonito que o meu Tibo"!

Culex quinquefasciatus

Este mosquito, a que chamaram Culex quinquefasciatus, tem muitas subespécies, uma delas em Portugal. Pode dar origem a encefalites e outras

O Ti Ribeiro de Tibo contava-me algumas histórias daquilo que terá sido o seu sonho brasileiro. Mas hoje só me lembro de duas. Sobre dois bichos terríveis. O trabalho dele era de seringueiro, algures, nas selvas brasileiras.

Disse que o seu grupo de trabalho estava farto de caminhar na selva e estavam muito cansados. Avistaram um tronco musgoso, todo verde e um sentou-se nele e disse: "já não saio daqui hoje, estou estoirado". O responsável pelo grupo disse: "vamos descansar um bocadinho mas temos de ir"!

O ti Ribeiro sentou-se, seria o 4º homem e o tronco começou a mover-se. Diz que era uma grande serpente. Uma serpente como o tronco de um carvalho e como o carvalho, todo musguento. Claro que eu habituado a ver cobras pequeninas até cerca de 2,5 metros, nem me passou pela cabeça acreditar nisso. Para mim, nessa altura, qualquer que fosse o volume cilíndrico do carvalho, não passava de uma aldrabice exagerada. Mas, nessa altura, para mim, ainda não havia qualquer tipo de jibóias e muito menos anacondas. Fiquei-me por aí.

Não sabemos o mal que uma mosca bonita como esta e outras nos podem causar directa e indirectamente


Este mosquito, como quer que o identifiquem, pode vir a ser um perigo para a saúde pública. A mosca em cima, ele e a aranha em baixo foram fotografadas na ribeira de Barcarena


Esta aranhinha pequenota, também pode vir a ser perigosa, porque não? Ela esconde-se por trás das corolas e quando algum insecto pousa, ela vem por trás e zás!  Injecta-lhe o seu mísero veneno e pronto. Uma ajuda para nós tratando-se de mosquitos e se nos ferra a nós. Que poderá acontecer? Pode conter o vírus dos mosquitos ...

Mas falou-me algumas vezes num bicho chamado "carapaña" ou "carpaña", algo assim. Hoje lembrei-me do ti Ribeiro de Tibo. Hoje, embirrei com os mosquitos. Procurei mosquitos e vim a descobrir que os mosquitos não têm nada a ver com o bicho imaginário do ti Ribeiro de Tibo. Eu tinha uma ideia que mais seria uma espécie de lacrau ou escorpião.


Hoje sei que a sonoridade dada pelo ti Ribeiro de Tibo à tal palavra, só me é correspondente ao nome em tupi dado a esses miseráveis bichos a que, genericamente chamamos mosquitos e eles chamam carapanã. Carapanã é um palavrão que embrulha todos os mosquitos na sua zona tais como melgas e toda essa cambada que nos afecta grandemente. Para mim que já considerei as melgas o mais terrível e vil adversário que tive lá por Moçambique e por cá, sou levado a acreditar que o ti Ribeiro de Tibo se referia a esses terríveis animaizinhos como o terrível carapanã.

Este é um dos terríveis mosquitos a que, em Portugal, chamamos melga. Existe, no Brasil na China, na Índia, em África - praticamente nas regiões tropicais e sub-tropicais de todo o mundo. Sabemos hoje que toda esta panóplia de mosquitos com vários nomes são responsáveis pela morte de vários milhões de pessoas, pois são eles os vectores dos diversos vírus que originam a morte de muitos de nós.


 

O Aedes Aegypti 


 O Aedes Aegypt, é o mosquito transmissor do vírus do dengue e da febre amarela 

terça-feira, 26 de abril de 2016

Maravilhas do Planeta Azul

 Ventor 26.04.16

No nosso planeta existem maravilhas que nem todos podem ou sabem apreciar. No dia que elas desaparecerem, o nosso planeta deixará de ser azul. Por isso, eu continuo a direccionar as minhas caminhadas para locais onde possa continuar a apreciar tudo, ou quase, do que apreciei nos meus tempos de criança.

Eu assobiei e ela apareceu! E disse logo: «só tu é que andarias num rio destes a assobiar, Ventor»! Foi na ribeira de Barcarena

Daí, eu procurar as cobras d'água, as toupeiras d'água (que nunca encontro), os melros d'água (que em cerca de 50 anos só vi um em Ponte da Barca), os guarda-rios (que ultimamente tenho encontrado) e muitos outros animais. Continuo à procura de rios limpos de matos e silvas, apesar de tudo ter melhorado um pouco. E, continuo à procura do milho-rei!


Uma carricinha trouxe-me a libelinha, que resolveu ir à horta e a libelinha trouxe-me a cobra, embora esta me tivesse dito que veio ao assobio. «Ouvi assobiar e convenci-me que só podias ser o Ventor»

Lembrei-me de quando era pequeno, o meu irmão apanhar uma cobra d'água no rio de Adrão e trazê-la na mão para me pregar um susto. Eu ouvi a galhofa dele e de um dos seus companheiros de caminhada: "vais ver o gajo ficar todo borrado"! Quando me apercebi do que era, só disse: «anda cá com ela que faço dela um cavalo marinho e ficas todo listado. Foi a correr, todo borradinho, levar a cobra para o rio. Nesse tempo eu matava tudo que fosse cobra. Ele terá pensado: "o gajo dá cabo de mim e mata a cobra"! Hoje, comigo, todos os bichos se safam.


Flor do marmeleiro a enfeitar a ribeira de Barcarena, olhando-a de cima para baixo

Mas, nas margens da ribeira de Barcarena, para além das cobras d'água, de libelinhas, dos tira-olhos, de patos-reais e outros, de galinhas d'água, e de muitos passarinhos, há também, muitas flores, entre outras, as de pessegueiro, de marmeleiro e muitas mais.

  Planeta Azul - Na Rota do Lince Ibérico A beleza do Lince Ibérico. Foto tirada da Wikipédia atribuída ao "Programa de Conservación Ex...